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Shadow


















"Aqui os seus maiores medos acontecem!"








































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Numa bela tarde de sol, em uma pequena e pacata cidade do interior paranaense, chamada Bela Esperança, cinco jovens conversam; Giovani, de 20 anos, Marcelo, de 19, Douglas, de 18, Patrícia, de 17 e Kate, de 17. Eles estão de férias e procuram algo para fazer, alguma aventura. De repente, Giovani tem uma idéia:

-Ei! Tive uma idéia, o que vocês acham da gente fazer alguma viagem? Algo com muita aventura?!

-É! Boa idéia. Disse Douglas. Por que não vamos para a casa de minha tia em Curitiba? Ela é rica, a casa dela é enorme e tem piscina.

-Cale a boca. Disse Patrícia. Ele fala em aventura, não em paparicos na casa da titia.

Então Marcelo, o mais misterioso da turma diz:

-Ei! Vocês querem aventura?! Então escutem isso; tenho certeza de que todos aqui já ouviram falar da famosa lenda de "Shadow", a cidade fantasma....

De repente, Kate o interrompe:

-Por favor Marcelo, não me venha com essa história de cidade fantasma, todo mundo sabe que essa é apenas uma lenda idiota inventada pelos nossos antepassados para assustar as crianças, e essa história passa de geração a geração.

-Muito obrigado por ter me interrompido Kate. Disse Marcelo. Mas quero terminar o que eu ia falando, bom! Como a nossa amiga nos lembrou, todos aqui acreditam que Shadow não passa de uma lenda, mas o que vocês não sabem, é que Shadow não é o verdadeiro nome da suposta cidade, esse era apenas o apelido que foi dado pelos ingleses que a colonizaram, na verdade Shadow chama-se Little Town, ou pequena cidade; há alguns dias atrás, eu estava matando aula do colégio, e encontrei uma sala na ala abandonada na biblioteca da cidade, eu estava lá em meio a muita poeira e encontrei uma pequena caixa de madeira, por curiosidade resolvi abri-la e lá encontrei documentos muito antigos e mapas, e nesses documentos constavam baixas militares de casos ocorridos na cidade de Little Town, pessoas estavam misteriosamente desaparecendo sem nenhuma explicação aparente, então o governo enviou toda a polícia competente da época para o local, após três dias mais de 20 policiais já haviam desaparecido, então o governo estadual pediu auxilio as forças armadas, duas semanas depois com cerca de cento e sessenta militares desaparecidos o governo resolveu concluir as investigações e apagou literalmente a cidade do mapa, a única estrada que dava acesso a Shadow foi apagada sem deixar nenhum vestígio, o governo destruiu todo e qualquer registro relacionado à cidade, pessoas que tinham algum conhecimento sobre o caso ou sobre a existência da cidade foram mortas, isso explica o fato de hoje todos acreditarem que Shadow é apenas uma lenda, pois as pessoas que não foram mortas pelo governo ficaram com medo, e então inventaram essa lenda.

O silêncio toma conta do ambiente, todos estão quietos e espantados com o que acabaram de saber; então Giovani pergunta:

-Está bom Marcelo, mas onde você quer chegar com essa história?

-Bom! Disse Marcelo. Eu tenho uma proposta; o que eu proponho é irmos até esta suposta cidade e descobrir qual é o mistério, então, o que vocês me dizem?

-Mas como? Perguntou Giovani. Se não há estrada que nos leve até lá, nem sabemos onde fica.

-Simples! Disse Marcelo. Utilizamos o mapa que encontrei junto com mapas atuais, pelos cálculos que fiz, Shadow fica a mais ou menos duzentos quilômetros daqui.

-Calem a boca! Disse Kate. Isso tudo é uma grande besteira, eu não vou há lugar nenhum; vou para casa, cansei dessas histórias idiotas, tchau!

Kate sai e vai embora, Patrícia sai atrás dela, tentar acalmá-la, o clima entre os rapazes não fica muito bom nessa hora, e Douglas diz:

-Viu seu babaca! Viu o que fez com essa história idiota, babaca.

Douglas sai e também vai embora, percebendo o clima, Giovani e Marcelo decidem ir embora e deixar a conversa para mais tarde. Giovani não deixa de pensar nas palavras de Marcelo e ele toma uma decisão: decide que vai atrás dessa tal cidade misteriosa e ele quer descobrir qual é o mistério.

No dia seguinte, Giovani acorda cedo e começa a organizar todo o material que ele irá precisar na sua viagem ao desconhecido. Por volta de meio dia, Giovani está com tudo pronto e com o carro aposto, então ele se despede dos seus pais e diz que vai fazer uma pequena viagem e logo vai voltar; pega o carro e passa na casa de Marcelo para pegar o tal mapa, mas, quando ele toca a campainha, Marcelo abre e ele tem uma pequena surpresa, seus amigos estão na casa de Marcelo assistindo a um vídeo.

-Oi Giovani, tudo bem? Perguntou Marcelo.

-Oi! Respondeu Giovani.

-Você veio assistir ao vídeo também?

-Não, eu vim buscar o mapa, estou de partida.

Nesse momento, todos param e olham para Giovani.

-Como assim? Que mapa? Perguntou Marcelo.

-O mapa que leva a Shadow. Respondeu Giovani.

-Ei cara, você não está pensando em...

-É isso mesmo, eu vou encontrar essa tal cidade, custe o que custar, vou até lá com ou sem a ajuda de vocês, nada e ninguém vai me fazer desistir, nada.

-Ei, espere aí, se você vai eu não posso deixar você ir sozinho; eu vou com você, me dá uma hora que estarei pronto.

-Ei! Disse Patrícia. Se vocês vão eu também vou, estou indo para casa arrumar minhas coisas.

-Bom! Disse Douglas. Se é assim eu também vou.

Então Giovani diz:

-Às dezoito horas eu estarei partindo, aqueles que quiserem me acompanhar estejam em frente a minha casa, não vou esperar nem um minuto a mais, espero vocês lá.

Dentre eles, a única que não se manifestou foi Kate, que ficou em silêncio, para quem a olhasse via que ela olhava para o nada, como se estivesse tendo uma visão. Por volta das dezessete e trinta, Giovani está com o carro pronto para partir e à espera de seus amigos; às dezessete e cinqüenta chegaram Marcelo, Douglas e Patrícia.

-Bom! Disse Giovani. Se alguém quer desistir este é o momento, porque depois que entrarmos nesse carro não haverá mais volta.

Nesse momento todos se calam, um a um entram no carro silenciosamente, quando estão prontos para sair, Giovani pergunta de Kate, Patrícia diz não saber nada, mas quando eles já estão saindo, alguém bate no vidro.

-Hã? Perguntou Giovani. O que foi?

-Abra. Disse Kate. Abra, eu também vou, não sei o que estou fazendo, mas eu também quero ir.

-Tem certeza Kate?

-Sim, absoluta.

Kate entra no carro e eles partem para uma viagem que pode não ter mais volta. Após uma hora de viagem, o clima dentro do carro é calmo, então Douglas tenta descontrair seus amigos e conta algumas piadas, mas isso não adianta muito, a impressão que se tem é que o tempo não passa, na estrada não se vê nada; por volta de vinte e uma e dez Giovani pára o carro e diz:

-Aí Galera! A partir de agora vocês devem se segurar, porque segundo esse mapa a estrada que leva até Shadow fica a direita cem quilômetros mata adentro.

Então eles entram com o carro no meio da mata, fazendo uma verdadeira loucura, pois eles estavam em busca de uma estrada que ninguém realmente sabe se vai encontrar, após trinta minutos de muita terra, começa a cair um temporal daqueles que se imagina que o mundo está desabando, a chuva é tão forte que Giovani mal consegue ver o que está a sua frente, a viagem se torna difícil, mesmo o carro de Giovani tendo tração nas quatro rodas, a dificuldade de locomoção do automóvel é grande, eles estão ali mal sabendo para onde estão indo, quando Kate deu um grito:

-Cuidado!

Giovani breca imediatamente, e na frente do carro há um homem, ele está cerca de dois dedos de distância do carro, por pouco Giovani não o atropela. O homem está vestido com uma capa de chuva preta e há um capuz em sua cabeça que impede de ver o seu rosto, todos estão muito assustados, Kate tomada de um medo incontrolável começa a gritar:

-Vamos sair daqui, vamos rápido, rápido!

-Calma! Disse Patrícia. Calma Kate, nada vai acontecer, é apenas um velho; calma.

Patrícia acalma sua amiga, mas está com tanto medo quanto Kate, o clima é tenso, então Giovani abre o vidro e pergunta:

-Senhor, posso ajudá-lo?

O velho se manteve imóvel, não mexeu um músculo sequer, então Giovani volta a perguntar:

-Senhor, posso ajudá-lo?

Marcelo se irrita e grita:

-Ei! Velho babaca, ele te fez uma pergunta, você não vai responder?

Então o velho lentamente sai da frente do carro e caminha até a janela, e com uma voz tenebrosa, diz:

-Aqui os seus maiores medos acontecem!

Kate, ao ouvir isso, começa a gritar, todos se alvoroçam dentro do carro e Marcelo tenta acalmar Kate.

-Eu sabia. -Disse Kate. -Nós vamos morrer, eu sabia, eu sabia!

-Calma Kate, calma! -Disse Marcelo. -Ninguém vai morrer, fique calma; é tudo culpa desse velho... oh! Droga, vamos sair daqui, rápido!

Quando Marcelo olha para o velho, ele desaparece, então Giovani acelera e em meio aquele temporal sai dali, eles estão assustados, mas, agora é tarde para se arrepender, por volta de vinte e três horas e trinta minutos eles finalmente encontram a estrada que dá acesso à Shadow, Marcelo, quando avista a estrada, começa a gritar:

-Eu disse, eu disse, estão vendo, é real, é real!

Nesse momento, Douglas sussurra:

-Meu Deus! O que eu estou fazendo aqui?!

A estrada incrivelmente está em boas condições, o mato que fica ao lado da pista é tão grande e tão alto, que de maneira inexplicável forma-se um túnel natural sobre a pista; Giovani a princípio conduz o carro lentamente, pois a chuva ainda está muito forte, mas, de repente Giovani começa a ver vultos passando ao lado do carro, ele pergunta aos seus colegas se estão vendo aquilo, mas eles respondem que não, então Giovani, tomado de um medo muito grande, começa a acelerar o carro impulsivamente, tentando inutilmente fugir dos vultos, seus amigos pedem desenfreadamente que ele diminua, mas, ele nã dá ouvidos, o carro está a cerca de cento e sessenta quilômetro por hora, quando um desses vultos passa na frente do carro, Giovani breca o automóvel que roda e sai da pista, abrindo uma imensa clareira na mata. O carro vai parar em um brejo rebaixado, Giovani tenta sair, mas não consegue, ele está com medo e quer sair logo dali, de repente o motor desliga, Giovani tenta dar a partida, mas nada, então Giovani diz:

-Que droga! Tenho que ir lá fora!

-Vou com você. -Disse Marcelo.

Em meio aquele temporal, Giovani e Marcelo saem lá fora, mas a surpresa que terão não vai agradá-los, quando Giovani abre o capô do carro, eles se assustam, o motor está completamente destruído, Marcelo e Giovani se olham e em silêncio fecham o capô do carro e sem dizer uma palavra vão até os amigos dar a má notícia. Chove muito nesta hora e o local onde se encontra o veículo está começando a inundar rapidamente, eles devem sair dali rápido antes que seja tarde demais.

-Bom galera, temos que prosseguir a pé! -Disse Giovani.

-Como assim? -Perguntou Kate.

-O carro não tem condições de continuar e logo vai ser levado pela correnteza. -Disse Marcelo. -Devemos sair daqui rápido, vamos, vamos!

Todos saem do carro, mas Kate está com muito medo e não quer sair, a água está subindo e o carro começa a se mover, Kate paralisada de medo nega-se a sair do carro, seus amigos gritam desesperadamente para que Kate saia do carro, mas ela apenas grita e o carro está completamente cheio da água e quase sendo levado pela correnteza, quando Marcelo consegue tirar Kate do carro. Após este fato todos estão molhados e cansados, mas prosseguem a viajem na estrada abandonada e totalmente escura, a visibilidade é quase zero; após uma hora de caminhada eles se deparam com uma guarita e avistam placas que dizem: "Mantenha distância" e "Não ultrapasse".

Ao verem isto ninguém fala nada, um a um passam pela guarita, o clima entre eles é de medo e insegurança, Kate está muito assustada e a impressão que se tem é de que ela tem visões do que vai acontecer; mais trinta minutos de penosa caminhada e finalmente eles avistam a misteriosa e tenebrosa Shadow, a cidade está às escuras e em meio a uma densa neblina, todos caminham devagar e muito espantados, Marcelo percebe algo inusitado, as casas possuem chapas de bronze onde deveria estar gravado os números das casas, mas não há nada, estão todos em branco, Marcelo comenta este fato com Giovani, que acha isso muito estranho; de repente Douglas diz:

-Meu Deus! Olhem só aquilo!

Todos olham para o fim da rua, e avistam um casarão imenso e em meio à densa neblina todos ficam muito espantados com aquele grande casarão, todos estão extremamente cansados e com frio, e a idéia que vem a cabeça de cada um é unânime, todos querem um lugar para se abrigar e passar a noite, então Patrícia diz:

-Chega! Eu não dou mais nenhum passo, vou ficar bem aqui, estou morta de cansaço, preciso descansar, por que não dormimos neste casarão? É assustador, mas parece seco e oferece algum conforto.

Todos concordam com Patrícia, exceto Kate, que diz:

-Eu não vou dormir aí nem morta! Não mesmo!

Marcelo, com certa irritação na voz, diz:

-Bom Kate! Você tem duas escolhas: ou você entra e dorme conosco lá dentro ou passa a noite aí fora ao relento, você escolhe!

Então todos entram no casarão e Kate não pensa duas vezes, entra junto com seus amigos, o casarão abrigava o hotel da cidade, ainda havia móveis, quadros e muitas estátuas tenebrosas. Marcelo e Douglas se encarregaram de religar a luz elétrica do casarão, foi tanto quanto difícil, mas eles conseguiram, incrivelmente boa parte dos cômodos tinha luz. Marcelo, após ter religado a luz resolve ir para fora da casa dar uma observada, quando ele repentinamente resolve olhar o número; seiscentos e sessenta e seis, este é o número, quando Marcelo avista isso ele chama Giovani:

-Giovani, giovani. Venha aqui, rápido!

-O que foi? -Perguntou Giovani.

-Olhe ali o número da casa. Olhe!

-O quê? Onde? Não estou vendo nada.

No momento que Giovani olha para o suposto número, não há nada, a chapa de bronze está igual as das outras casas. Marcelo então diz a Giovani que viu um número e que esse número era o meia, meia, meia, o chamado número da besta, então Giovani acalma o amigo, dizendo que ele está cansado e que deve descansar, Marcelo acaba acreditando que é isso mesmo, que ele está apenas cansado e passa a crer que o que viu foi apenas uma alucinação; após este fato Giovani e Marcelo entram e reúnem-se aos outros, que estão em frente à lareira acesa por Douglas. Todos estão muito cansados e então Giovani diz que os homens irão dormir em um quarto e as meninas em outro, para evitar constrangimentos. Durante a noite, todos dormem tranqüilamente, mas no quarto onde as meninas estão dormindo um vento muito frio começa a entrar, o frio é muito intenso, então Patrícia de maneira sonolenta diz:

-Ei! Kate, feche a janela.

E Patrícia escuta uma voz grossa que diz "claro", então Patrícia, assustada, olha para Kate, que dorme angelicalmente. Patrícia, dominada por um medo intenso, levanta em meio ao frio e corre em direção à porta, mas a porta está trancada, ela tenta abrir, mas não consegue, então ela começa a gritar:

-Giovani, Marcelo, Douglas!

Mas ninguém responde, ela continua a gritar, quando de repente começa a se ouvir uma forte batida que estremece o chão do quarto como se fosse um terremoto, Patrícia está em total pânico, cada vez mais desesperada ela continua a tentar abrir a porta enquanto Kate dorme tranqüilamente sem perceber qualquer coisa, então eis que surge um grande e assustador vulto que vem da janela, e cada vez mais perto. Patrícia chora e chora com um medo incontrolável, e o tenebroso vulto está cada vez mais perto, Patrícia chora imaginando que este é o seu fim, mas quando o aterrorizante vulto está a poucos centímetros de Patrícia, que treme não só de medo, mas também de frio; eis que se abre a porta, Patrícia com o abrir da porta cai e quando olha para cima vê Giovani, que lhe pergunta:

-Patrícia! O que aconteceu? Por que você está chorando?

Patrícia então relata o que aconteceu, mas Giovani diz que não ouviu nada, nenhum grito e nem sentiu frio, ele ainda diz que levantou porque algo lhe disse para ir até o quarto das meninas. Kate, que estava a dormir acorda com o barulho da conversa, então Patrícia pergunta a Kate se viu, ouviu ou se sentiu o que aconteceu, Kate diz nã oter visto nada, que só se lembra de quando elas foram dormir e agora acorda nesta situação, Patrícia fica muito confusa e está assustada; Giovani, ao perceber que Patrícia está em pânico a abraça e diz para ela que deve ficar calma que ele vai dormir ali com elas.

No outro quarto, Douglas e Marcelo estão dormindo sem sequer imaginar o que está acontecendo no quarto ao lado, de repente Douglas acorda com vontade de ir ao banheiro, ele percebe que Giovani não está dormindo ali, mas não dá muita importância ao fato e sai do quarto em direção ao banheiro, quando Douglas está caminhando pelo imenso corredor, ele começa a olhar para as estátuas e quadros tenebrosos, e a impressão que se tem é que aquelas figuras tenebrosas o olham e estão cuidando de cada passo dele. Douglas diz ironicamente a uma das assustadoras estátuas:

-O que é que você está encarando? Babaca! Há, há, há!

Douglas está rindo de sua gracinha, quando ele escuta uma vozes como se fossem centenas de mulheres, que dizem:

"Douglas, Douglas, Douglas"

Douglas vira-se rapidamente e com um olhar assustado, pergunta:

-Quem está aí? Quem? É você Patrícia?

Então um dos quadros que está bem em frente ao Douglas cai, então ele, muito assustado, diz:

-Aí galera! Não estou gostando nada desta brincadeira!

Então as vozes começam a fica mais fortes, Dougals, tomado de um pânico começa a correr pelo corredor e as vozes começam a perseguí-lo, as vozes cada vez mais altas e Douglas a cada passo mais assustado, então ele chega ao final do corredor e avista uma porta, ele a abre, entra na pequena sala, nesta sala há cerca de cinco ou seis janelas de venezianas, pelas janelas entra-se a luz da lua; Douglas está afônico e inspira o ar desesperado, ali está ele quando de repente apenas uma voz feminina diz: "Douglas" num tom desesperador e nesse momento fecha-se a porta, Douglas tenta abri-la, mas não consegue, então Douglas avista as janelas e corre em direção à elas, mas quando ele se aproxima as venezianas uma a uma vão se fechando de maneira sobrenatural, Douglas, em total pânico começa a chutar a porta desesperadamente, as vozes voltam a chamá-lo, ele está desesperado, as paredes começam a tremer e quanto mais Douglas se desespera mais as vozes o chamam, e mais as paredes tremulam, então o frio começa, o mesmo frio que aterrorizou Patrícia, vem e cada vez mais frio e frio; Douglas está em total pânico, treme de frio, de repente ele olha para o chão e vê uma pequena fresta no assoalho, à primeira vista parece ser inútil, mas Douglas com uma força que lhe toma naquele momento consegue arrancar a tábua e pela pequena fresta passa, ele está debaixo do assoalho em uma espécie de porão, Douglas corre, corre e corre, ele encontra uma pequena saída que dá para o hall de entrada. Douglas sobe as escadas correndo à procura de seus amigos, quando ele chega ao quarto onde está Giovani e as meninas, todos dormem; Douglas, suado e muito sujo e em meio a gritos acaba acordando a seus amigos, Giovani abre a porta e pergunta:

-O que foi? O que está havendo?

Douglas relata o que lhe aconteceu, após ouvir o relato do amigo, Giovani percebe que algo de errado está acontecendo e diz:

-Tem alguma coisa acontecendo aqui!

-Mas o que está acontecendo? -Perguntou Patrícia.

-Não sei e nem quero ficar aqui para descobrir. -Disse Giovani. -Vamos! Temos que dar o fora daqui o mais rápido possível; vamos!

Quando eles tentam sair, todos são jogados para dentro do quarto e a porta se tranca, Giovani e Douglas tentam desesperadamente arrombar a porta com cadeiradas e chutes, ao verem que isso é inútil, começam a gritar para Marcelo, pois ele está dormindo no quarto ao lado. Marcelo acaba acordando com os gritos de seus amigos, ele olha para o lado e não vê Giovani e nem Douglas, Marcelo levanta rapidamente e grita:

-Estou indo! Fiquem calmos!

Mas, para Marcelo, os gritos estão vindo lá de baixo, então ele corre desesperadamente para o fim do imenso corredor, quando ele chega na escada, ele vê um vulto que atravessa o grande hall, então ele olha de maneira mais esforçada e vê que quem está lá é o velho que eles haviam avistado na mata, Marcelo então desce as escadas correndo e gritando:

-Velho maldito! O que você fez com meus amigos?

Marcelo dá um grande salto e derruba o velho, e então começa a lutar com o tal velho, ele dá chutes e socos e ao mesmo tempo xinga, mas de repente Marcelo ouve uma voz em tom sarcástico que diz: "Ei! O que você está fazendo? Há, há, há, há..."; Marcelo, que estava a rolar no chão com o suposto velho, e nesse momento muito suado, ofegante e cansado pára, olha para trás e não vê ninguém, e quando ele retorna a olhar para a frente vê que estava dando socos e pontapés em um pano velho e empoeirado, rapidamente Marcelo se levanta, e muito confuso se pergunta:

-O que é que estou fazendo?

Então a voz misteriosa diz: "Você está matando seus amigos, matando seus amigos", aquelas palavras começam a ecoar na mente de Marcelo, que começa a dizer repetidamente:

-Quem está fazendo isso? Quem? Quem?

Então ali está Marcelo a gritar, quando repentinamente a imensa lareira se acende, Marcelo olha para a lareira muito assustado, é possível ver o medo em seus olhos, então vultos começam a vir de todas as direções, Marcelo apenas se esquiva, de repente o tapete começa a se mover, e esse movimento está levando Marcelo para dentro da gigantesca lareira, Marcelo cai e começa a gritar de medo, ele rola de um lado para outro, tentando fugir, mas é inútil, o tapete é muito grande, tudo leva a crer que esse é o fim de Marcelo, mas então ele com muito esforço consegue se levantar e começa a correr na direção oposta a que o tapete tenta levá-lo, parecendo uma grande esteira mecânica, o fogo fica cada vez mais forte, pois muitos móveis que estavam no grande hall foram jogados ao fogo e o movimento do tapete começa a aumentar cada vez mais rápido, rápido e rápido, ele está muito cansado, está quase caindo e não há ninguém que possa ajudá-lo, ele já não agüenta mais correr, quando ele cai... mas por sorte ele caiu porque o tapete se acabou, então nesse momento todas as janelas se abrem e como se o casarão estivesse com raiva, começa a entrar um vento muito forte, e junto com o vento o frio, Marcelo, em pânico, corre em meio ao turbulento vento em direção às escadas, ele sobe correndo e aí então, finalmente ele ouve a voz de seus amigos ao longe, ele começa a correr extremamente cansado pelo imenso e tenebroso corredor em direção ao quarto onde seus amigos estão. Quando Marcelo chega na porta do quarto onde eles estão presos, ele ouve gritos que pedem socorro desesperadamente, dentro do quarto Giovani, Douglas, Kate e Patrícia batem na porta pedindo ajuda, então Marcelo grita lá do lado de fora:

-Fiquem calmos! Eu vou salvá-los!

-Rápido, rápido! -Gritam eles.

Quando de repente o frio tenebroso começa a entrar de todos os lados, Kate, ao perceber este fato, se desespera mais ainda e então grita enlouquecidamente por socorro, todos dentro do quarto sabem que algo está para acontecer, dentro do quarto o frio é muito intenso, todos tremem. De repente a luz elétrica se apaga em todo o casarão, então duas esculturas de madeira em forma de cão que estão no canto do quarto criam vida e começam a se mexer, todos com um olhar de total pânico se espremem na porta, Giovani avista um cabide de chapéu ao seu lado, então ele a pega e começa a lutar com os cães de madeira, os outros nada fazem além de olhar assustados, pois estão completamente paralisados de medo. Marcelo, que está do lado de fora ouve tudo o que está acontecendo e tenta desesperadamente arrombar a porta, então, ele olha para o lado e vê uma grande estátua em forma de anjo, ele a pega e grita:

-Cuidado! Se afastem da porta!

Dentro do quarto, Douglas abraça as meninas e as leva rapidamente para um canto do quarto enquanto Giovani continua a encarar as feras gritando desesperadamente para Marcelo agir rápido. Marcelo então joga a estátua na porta abrindo assim um rombo na porta. Douglas, Kate e Patrícia saem do quarto e começam a correr, quando Marcelo tenta entrar no quarto para ajudar Giovani, um dos cães o derruba e sai atrás de Douglas e das meninas, Marcelo se levanta e Giovani o puxa, dizendo:

-Vamos, vamos!

Giovani e Marcelo começam a fugir do outro cão, que com seus dentes afiados e olhos vermelhos, persegue os dois, eles correm pelo grande corredor e quando chegam às escadas, eles avistam seus amigos em meio ao intenso frio e ao turbulento vento encurralados em um canto do grande hall, com o feroz cão a os ameaçar, ao verem isto, Giovani e Marcelo correm para ajudar seus amigos, quando está correndo, Giovani avista uma pequena estatueta em cima de um estranho pedestal, então ele a pega, e quando chega perto do local, arremessa o objeto no cão, isso acaba dando uma brecha para que Douglas, Kate e Patrícia fujam, então Marcelo corre em direção à grande lareira que ainda arde em chamas, os dois cães de madeira o perseguem, seus amigos não entendem o que ele está fazendo, Giovani grita para que ele não se mate se jogando na lareira, mas Marcelo quer salvar seus amigos, terão alguma chance, Marcelo continua a correr e não dá ouvidos a seus amigos, ele está a uns sete metros à frente dos cães, quando ele está bem perto da lareira ele pára, se vira para os cães, que vem com muita raiva para cima dele, ele fica ali, firme, e quando os dois cães pulam simultaneamente para cima dele... ele se abaixa e os dois cães caem no fogo e começam a queimar, Marcelo se levanta e corre em direção aos amigos. Então o vento e o frio que já estavam intensos ficam ainda pior, Douglas tenta abrir a porta principal, mas é inútil, a porta está presa como se alguém muito forte a segurasse, mas... de repente tudo pára, o vento, o frio e a lareira se apaga; Patrícia, completamente ofegante, pergunta em um tom sussurrante:

-Acabou?

-Não. -Respondeu Giovani. -Nunca acaba assim!

Então, de maneira assustadora, o assoalho começa a se soltar, arremessando as madeiras ao ar em meio a muita poeira, Marcelo, neste momento pega uma dessas madeiras que cai perto de seu pé e quebra a vidraça da janela que está ao seu lado, e grita em meio aquele barulho ensurdecedor:

-Vamos! Por aqui! Rápido! Rápido!

Então, as garotas pulam primeiro e enquanto isso o assustador fenômeno do assoalho está cada vez mais perto. Giovani grita pedindo que se apressem, Douglas pula e quando Marcelo está pulando a vidraça, um grande vidro que está na parte de cima da janela começa a se soltar, com toda a tremulação do solo, e uma pequena lasca de vidro se solta e cai bem en cima do braço esquerdo de Marcelo, fazendo-lhe um corte de uns cinco centímetros. Marcelo acaba caindo para o outro lado de fora da janela de uma altura de dois metros, Giovani então grita desesperado:

-Marcelo! Você está bem?

Giovani pula a janela e ajuda seu amigo a se levantar, eles começam a correr em direção a saída da cidade, Marcelo está ferido, eles correm e não olham para trás, mas o que eles não estão vendo é que um vulto enorme que sai de trás do grande casarão, começa a perseguí-los, Kate olha para trás e vê o tenebroso vulto, e diz:

-Corram! Corram rápido! Ele está vindo!

Então cada vez mais eles correm, correm e correm, e no exato momento que eles passam do limite da cidade, o vulto desaparece. Então eles avistam a guarita e quando estão passando por ela, Marcelo cai, pois ele está perdendo muito sangue e está muito fraco, Giovani então diz:

-Ei cara? O que é isso? Vai me deixar na mão agora? Ei velho, você não vai morrer, não mesmo!

De repente Douglas diz:

-Ei Giovani, olhe ali!

Giovani se levanta e avista dentro da guarita um antigo rádio, imediatamente ele pede a Patrícia que ajude Marcelo, e entra na guarita, liga o rádio, comemora, pois ainda funciona, e através daquele rádio ele pede ajuda, ele dá as coordenadas, cerca de dez minutos depois um helicóptero da força aérea pousa com paramédicos, e no momento em que eles estão embancando na aeronave, o já conhecido frio começa a plainar sobre eles, então, Kate começa a gritar para o comandante:

-Vamos! Vamos! Rápido, nos tire daqui!

O comandante sem entender levanta vôo, e Marcelo que está deitado em uma maca recebendo os primeiros socorros, olha para seus amigos e em um tom de brincadeira, diz:

-Aí Galera! Vocês já ouviram falar na lenda do bosque maldito?

-Há não! -Disse Giovani. -Nem pense nisso!

Autor: Paul Wagner